Substrato para Lithops

Na natureza, no sul do continente africano, os Lithops crescem em solos extremamente pobres, arenosos, pedregosos e com pouquíssima matéria orgânica. Recriar essas condições no vaso é fundamental.

Embora venham com a etiqueta “para cactos e suculentas”, as misturas comerciais comuns costumam conter excesso de terra vegetal, turfa ou fibra de coco. Para a maioria das suculentas isso pode funcionar bem, mas para os Lithops pode ser fatal. A matéria orgânica em excesso retém umidade por dias, o que cozinha e apodrece as raízes, e os solos com muita terra compactam após algumas regas, impedindo a oxigenação das raízes.

80% a 100% de matéria mineral inorgânica

O recomendado é manter sempre uma proporção entre 80% e 100% de material mineral inorgânico (e, consequentemente, apenas 0% a 20% de matéria orgânica).

A decisão de incluir ou não esse pequeno percentual orgânico deve levar em conta as condições do ambiente de cultivo: substratos com maior teor de matéria orgânica tornam-se significativamente mais perigosos em locais muito úmidos ou com pouca circulação de ar, pois retêm umidade por tempo demais.

Por outro lado, em regiões de clima muito seco e com baixa umidade ao longo do ano, um toque mínimo de matéria orgânica pode ser tolerado sem grandes riscos. Vale ressaltar que, ao optar por um substrato 100% inorgânico, é possível realizar ocasionalmente uma ligeira suplementação com fertilizante líquido, utilizando sempre diluições bastante inferiores às recomendadas na embalagem pelo fabricante.

Você pode combinar diferentes materiais de acordo com o que for mais fácil de encontrar na sua região, entre os quais:

Pedra-pomes (pumice)

É leve, porosa e retém ar, além de absorver um mínimo de umidade sem sufocar as raízes. É uma das melhores opções que existem para o cultivo de Lithops. No Brasil, o preço tende a ser mais alto do que o da maioria das alternativas.

Perlita expandida

Aumenta substancialmente a aeração do substrato. É facilmente encontrada à venda no Brasil e tem preço acessível. A desvantagem da perlita é que, por ser extraordinariamente leve, tende com o tempo a subir no substrato, ficando toda na superfície.

Akadama

É uma argila granular vulcânica originária do Japão, muito utilizada no cultivo de bonsai e suculentas. Tem excelente capacidade de drenagem e, ao mesmo tempo, retém uma quantidade moderada de umidade nos seus grânulos porosos. Com o tempo, pode começar a se desfazer, mas mantém a sua funcionalidade por várias estações. A akadama de grão fino (2 a 4 mm) é a mais adequada para Lithops. Por ser um material que pode reter um pouco mais de água do que a pedra-pomes ou o cascalho, recomenda-se usá-la em combinação com outros minerais. É encontrada em lojas especializadas de bonsai e é uma das melhores opções disponíveis, embora o preço seja elevado.

Caqueira de telha

Ajuda no fluxo de ar sem encharcar. É uma alternativa mais econômica à pedra-pomes e igualmente eficaz. Procure grânulos entre 2 e 6 mm.

Areia grossa de rio (lavada)

Aumenta a drenagem e dá peso ao vaso, ajudando a ancorar a planta. Use apenas areia de rio bem grossa ou pedrisco fino (2 a 6 mm). Nunca use areia fina de construção, que compacta em demasia, nem areia de praia, que contém sal.

Cascalho ou pedrisco de aquário

Ótimo para dar estrutura e peso ao vaso. Ajuda a estabilizar a planta e a manter o substrato arejado. Evite pedriscos coloridos artificialmente.

Casca de arroz carbonizada

Obtida pela queima parcial da casca de arroz em baixa temperatura e com pouco oxigênio, é um material leve, poroso e de cor escura. Proporciona excelente drenagem e aeração, com uma estrutura estável e resistente à compactação que se mantém ao longo do tempo. A sua decomposição é extremamente lenta, podendo durar anos no vaso sem se desfazer.

Apesar de não ser um material de origem mineral, nem ser inorgânico, o seu comportamento no vaso é muito diferente da turfa, da terra vegetal ou da fibra de coco. Não retém umidade em excesso, não compacta e é rica em sílica, contendo também vestígios muito reduzidos de potássio e fósforo, numa forma pouco disponível para as plantas. Na prática, a liberação de nutrientes é tão lenta que se pode considerar um material inerte do ponto de vista nutricional. O uso mais comum e seguro é misturá-la com outros componentes minerais, como pedra-pomes, perlita ou areia grossa. Certifique-se de adquirir casca de arroz verdadeiramente carbonizada e de boa procedência.

Argila expandida triturada

Obtida a partir da trituração de grânulos de argila expandida, um material cerâmico leve e poroso produzido industrialmente em fornos de alta temperatura. Proporciona excelente drenagem e arejamento, com grânulos estáveis que não compactam e mantêm a sua estrutura ao longo do tempo. A sua porosidade interna permite reter uma quantidade mínima de umidade, suficiente para ancorar as raízes sem risco de encharcamento. É um material totalmente inerte do ponto de vista químico e nutricional, não liberando nutrientes nem interferindo na fertilização, e o preço é geralmente acessível. Tenha atenção especial para não usar grânulos muito grandes, pois dificultam o contato das raízes finas com o substrato; procure usar argila expandida de granulometria entre 3 e 6 mm. Utilize sempre argila expandida nova ou devidamente higienizada, livre de resíduos de cultivos anteriores.

Atualizado em